A entrada na UE permitiu a Portugal um conjunto alargado de subsídios estruturais.
Recebemos subsídios para formação, para a modernização da agricultura e para o abate da frota pesqueira.
Sobre estes três eixos não me pronuncio por desconhecer os sectores e os resultados.
Houve outro eixo central de actuação: Infraestruturas de transporte, ao qual dediquei 16 anos de actividade profissional.
Foi uma área que provocou uma nova geografia no território português. Hoje o país está conectado, exceptuando algumas ligações entre os distritos do interior.
Tal configuração permite maior competitividade às empresas, por facilitarem a mobilidade dos seus produtos e dos seus recursos humanos.
Por outro lado, a industria da construção necessitou de agregar diversos sectores de actividade económica, introduzindo nesta considerável liquidez.
Mas isto é o passado.
A concentração dos contratos de empreitada esmagou o espaço de manobra das PMEs. No passado existiam centenas de contratos em simultâneo, hoje são poucas unidades, mas com valores astronomicamente superiores (PPPs).
Isto significa que a maioria das PMEs que operavam tradicionalmente neste sector estão a procurar novos mercados ou reféns de um modelo de negócio sem margens para renovação ou investimento.
Por seu turno, as grandes construtoras consolidam os seus processos de internacionalização. Têm o know-how do caso português e forte capacidade financeira. Nos mercados de destino contratam empresas locais, quando não as integram nos seus consórcios.
Compreende-se que os governos-cliente, coloquem essa contrapartida nos seus concursos em nome da garantia da dinamização económica dos seus territórios.
A motivação deste post é sobre a oportunidade de investimento em infra-estruturas de transporte em nome da dinamização da economia.
O que pode ganhar Portugal com estes investimentos?
A ligação à Europa não é certamente. Lx-Madrid em 3 horas, Lx-Barcelona em 7 e Lx-Paris em 10 (com mudança de linha em Marselha) transforma o TGV num comboio de praia do sul da Europa.