Comemoro 20 anos de actividade empresarial em Portugal.Sintetizo em poucas linhas aquilo que aprendi e que julgo ser útil para quem pretende iniciar uma actividade empresarial.
Tinha 19 anos quando tudo começou.
Ser empresario é ser actor do próprio guião. É ter a liberdade de escolher caminhos e receber as vantagens e consequências dessas opções.
Mas todas as rosas têm espinhos:
Vivemos num país sem Justiça. Não é coisa para se resolver em breve.
Quem percebe de Leis são os advogados. São escritas por eles e para eles.
Os advogados não dão crédito. Solicitam "preparos" para prestar um serviço no futuro. Siga-lhes o exemplo. Evite a concessão de crédito.
A banca portuguesa é a "Casa de Chocolate da Bruxa Malvada".
Quando recorre ao empréstimo bancário, o dinheiro fresco sabe a mel. Mas tudo muda.
Em pouco tempo o empresário passa a estar prisioneiro desse contrato.
Evite os empréstimos. Crie um negócio com recursos próprios. Mesmo que nulos.
Se "capital" não é o seu forte, venda ideias.
A sociedade portuguesa não depende dos eleitos. Depende de corporações.
Portugal é governado por pessoas cujo nome e o rosto são desconhecidos do público.
Quando desenvolvemos projectos para organizações, as empresas privadas procuram métricas de avaliação do nosso trabalho, as entidades públicas focam-se na reputação social.
A crise está a mudar as coisas. Mas os milagres fazem-se em Fátima.
Nem tudo é adverso:
Portugal é um país fascinante para o desenvolvimento de novos negócios. A mão de obra nacional é mobilizável para projectos inovadores, o mercado interno gosta de experimentar novos produtos.
Somos um FabLab à escala global.
Use as suas redes para o desenvolvimento de projectos. Contrate parceiros à tarefa.
Evite custos fixos. São o veneno das empresas.
(*) Comentário da Conservadora, quando se cruzou comigo e com os meus sócios.