Wednesday, August 17, 2022

“ayatollah de Barcarena”

Fotografia de Nuno Ferreira Santos, Público
Sou amigo de Sérgio Figueiredo.

Recebi com estupefação a notícia da contratação de Sérgio Figueiredo para o Governo, no caso concreto para o Gabinete do Ministro das Finanças.

Sérgio Figueiredo, tal como João Cotrim Figueiredo, presidente do meu partido, são pessoas com carreira profissional dentro e fora da política.
Este Governo não teve a sorte de envolver este tipo de pessoas.
Limitou-se a nomear amigos, amigos de amigos e amigos do alheio. Por parte daquele a quem não se conhece atividade profissional: António Costa.
(Não considerei a atividade de especulação imobiliária como profissão.)

Não acreditava, nem acredito, que Sérgio Figueiredo pudesse trazer alguma dignidade a um Governo que ficará para a História como o pior desde o tempo de Salazar.
Pior em Estratégia, em Serviços Públicos, em Sustentabilidade Ambiental e Económica, em Desenvolvimento.
Em síntese: o pior.

No passado dia 9 de Agosto o Público apelidou Sérgio Figueiredo de “ayatollah de Barcarena”, acrescentando que José Sócrates consta na lista de seus amigos.
Podia ter dito, mas não disse, que o “Ayatollah de São Bento” é seu inimigo.
Não gerava o efeito pretendido.

As redes sociais incendiaram-se em ódio porque a empresa que o Sérgio dirige cobraria o equivalente ao salário de Ministro pelos seus serviços.
Tudo isto enquanto ardia a Serra da Estrela, porque o Cmdt dos Bombeiros Voluntários da Covilhã deixou que o mesmo, na fase embrionária, se escapasse para Manteigas.
Morreram animais, perdeu-se o maior pulmão de Portugal e atirou-se com o fumo para Espanha.

Portugal pode viver de fait divers. Mas não deixará de ser ultrapassado pela Roménia - sim, a Roménia! -  quando o atual Governo terminar funções.
Nessa altura o país será confrontado com a existência de portugueses nos semáforos desse país, a pedir ajuda para comer.