Hoje, a floresta já não vale pela madeira nem pela captura de carbono: vale pelo Turismo, pelo lazer, pela experiência e pela paisagem. Mas os governos e muitos autarcas só se lembram destes territórios quando os combustíveis entram em inflamação, ou quando há fundos de coesão para distribuir. E como sabemos, dinheiro sem visão só perpetua o atraso.
A realidade é dura: enquanto em Portugal se discute o mínimo, investidores estrangeiros estão a transformar a ruralidade em ativo estratégico. O “fenómeno Comporta” não vai parar. Vai estender-se ao coração dos Açores e ao Centro de Portugal. Quem investe a partir dos EUA, de África ou da América do Sul já percebeu que aqui há futuro.
E os portugueses? Serão os últimos a perceber. E quando acordarem, os melhores lugares já terão sido ocupados.
Os estrangeiros sabem fazer contas. Os fundos estruturais, não.
Em outubro vamos a votos. A pergunta é simples: quem está preparado para transformar territórios periféricos em territórios de futuro – e quem vai continuar a olhar para eles como um Museu?
