Friday, August 22, 2025

Autárquicas à porta: quem defende os territórios de baixa densidade?

Este verão foi claro: os territórios de baixa densidade continuam a arder. Literalmente. Os fogos florestais são a consequência daquilo que todos fingem não ver: a desvalorização da agricultura e da silvicultura na economia nacional.

Hoje, a floresta já não vale pela madeira nem pela captura de carbono: vale pelo Turismo, pelo lazer, pela experiência e pela paisagem. Mas os governos e muitos autarcas só se lembram destes territórios quando os combustíveis entram em inflamação, ou quando há fundos de coesão para distribuir. E como sabemos, dinheiro sem visão só perpetua o atraso.

A realidade é dura: enquanto em Portugal se discute o mínimo, investidores estrangeiros estão a transformar a ruralidade em ativo estratégico. O “fenómeno Comporta” não vai parar. Vai estender-se ao coração dos Açores e ao Centro de Portugal. Quem investe a partir dos EUA, de África ou da América do Sul já percebeu que aqui há futuro.
E os portugueses? Serão os últimos a perceber. E quando acordarem, os melhores lugares já terão sido ocupados.

Os estrangeiros sabem fazer contas. Os fundos estruturais, não.
Em outubro vamos a votos. A pergunta é simples: quem está preparado para transformar territórios periféricos em territórios de futuro – e quem vai continuar a olhar para eles como um Museu?

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